Oportunidade

Entre a expetativa e a oportunidade

As expetativas têm impacto no que sentimos, pensamos e alcançamos.

São imagens que criamos na mente em forma de idealizações.

Se o alcançar dos nossos propósitos depende sobretudo da nossa vontade e liberdade, a realização das expetativas depende do que possa vir a acontecer!

Os propósitos têm que ver com a nossa vida e com o modo como a construímos. 

As expetativas são uma suposição de um futuro que prevemos, esperamos e ansiamos.

Por mais pequena que seja, temos dificuldade em lidar com a perda

Em boa verdade, cada expetativa é uma potencial frustração e limitação de liberdade, uma vez que o foco na expetativa limita a nossa capacidade de construir o que está ao nosso alcance de uma forma mais abrangente e esclarecida.

As expectativas, muitas vezes sem que nos apercebamos, são condicionadas pela nossa educação, pelos nossos amigos, pela comunidade onde vivemos e algumas até são transmitidas dentro das próprias famílias, perdurando por gerações.

As expetativas podem descurar oportunidades, dando-nos a ilusão de uma certa segurança.

Mas essa segurança é muitas vezes abalada pela realidade, quando as expetativas não se realizam, ou se realizam, mas não da forma que nós as idealizamos.

Oportunidade 

Os grandes riscos das expetativas

  • Os fundamentalismos e radicalismos;
  • As manipulações políticas, religiosas, grupais, informativas;
  • Os processos de corrupção;
  • As perdas de oportunidades genuínas;
  • As guerras, isolamentos e egoísmos;
  • As dependências (drogas, trabalho, competição, digital,…).

Estes riscos alimentam-se do facto de delegarmos em algo ou em alguém o que possa vir a acontecer, sem nos corresponsabilizarmos como agentes de mudança.

Da expetativa à oportunidade

As expetativas indiciam alguma carência, dependência ou até impotência.

Carência no sentido de que esperamos que o futuro nos traga algo que entendemos que nos falta.

Dependência, pois a realização de grande parte do que esperamos não dependerá apenas de nós.

Impotência porque, no fundo, sabemos que a expectativa pode não se realizar.

Mas quando estamos envolvidos na experiência concreta de cada vivência, no aqui e agora, não criamos expetativas, talvez porque viver ultrapasse em valor a melhor das expetativas.

Oportunidade 

Afinal, onde está a oportunidade do momento?

Está na satisfação daquelas que são as nossas necessidades fundamentais:

  • Experimentar que somos valiosos: dignos de respeito, únicos e com identidade;
  • Experimentar que somos amados e amamos, protegidos e protegemos, somos com os outros;
  • Experimentar o sentido que nos expande e motiva a ir para lá de nós e do nosso melhor, o que no fundo é a continuada qualificação das duas necessidades anteriores.

Estas três necessidades humanas essenciais, todas elas relacionais, valem na medida em que são experimentadas e não apenas por serem proferidas em discurso ou desejadas.

A evolução da Humanidade acontece na medida em que estas necessidades são satisfeitas universalmente, seguramente que não será por nenhum tipo de doutrina nem de imposição.

Cada ser humano, ao satisfazer estas suas necessidades, expressa a sua Humanidade através do seu livre arbítrio, da sua solidariedade, da beleza da sua missão de vida e da plenitude dos seus afetos.

Quando o humano não se comporta como tal

A carência da satisfação das nossas necessidades fundamentais pode traduzir-se em comportamentos, pensamentos e sentimentos impróprios.

Convivemos com expetativas que não nos satisfazem e que, por isso, nos distraem e são insaciáveis.

Ideias como “ter poder”, “ganhar sempre mais”, “ter prestígio”, “ser melhor do que outro”, “enganar o outro”, “pensar apenas nos seus interesses”…

Porventura, todas essas ideias resultam de expetativas. Mas nenhuma delas satisfaz as necessidades humanas fundamentais, nem nos realiza como seres humanos.

Essas ideias preenchem apenas um espaço vazio dentro de nós que estará sempre sedento de mais e mais e que só poderá começar a ser preenchido na medida em que satisfizermos as nossas necessidades fundamentais.

Oportunidade

Satisfazer as necessidades humanas fundamentais

Requer, antes de tudo o mais, conexão connosco e com os outros:

  • Saboreando alimentação saudável;
  • Praticando exercício físico;
  • Ajudando os outros;
  • Trabalhando de um modo ajustado e equilibrado;
  • Cuidando da própria saúde;
  • Abrindo o coração em exercícios de transcendência;
  • Desfrutando com um livro, um jogo, um passatempo, uma música, uma dança;
  • Escolhendo boas fontes de informação
  • Valorizando as oportunidades autênticas.

Diretor geral da OMS: vivemos uma imensa oportunidade

Para aprendermos, crescermos e agirmos como uma verdadeira Humanidade.

Tedros Ghebreyesus refere-se à Bondade como uma medicina. Na realidade, apenas este caminho permitirá a cada um e a todos tomarem parte nesta imensa oportunidade.

Ao cuidarmos com amor o que possamos sentir, dizer, ouvir, fazer, estamos serenamente satisfeitos.

Paramos o ritmo frenético, aumentamos a solidariedade, beneficiamos a Natureza e valorizamos a Vida e a Dignidade das pessoas.

Enfim vivemos melhor e mais plenamente cada dia como uma verdadeira oportunidade!

 

 

 A globalização da solidariedade

A propósito desta oportunidade que vivemos, Ramalho Eanes assinala:

  • A base de tudo é a virtude, a humildade e a vulnerabilidade;
  • A globalização trouxe interdependência, mas não trouxe solidariedade;
  • Só com humildade e corresponsabilidade encontramos soluções;
  • O medo é razoável, mas é nossa obrigação superá-lo;
  • O eu, o meu interesse, o meu egoísmo estão ultrapassados;
  • É essencial uma intercomunicação autêntica de uns com os outros.

Prossegue o General Eanes, estamos a falar da verdadeira espiritualidade, que está em cada um de nós e na nossa relação com os outros.

Estamos a falar do Amor Puro, o saber estar connosco e com os outros, em qualquer lado e em qualquer circunstância, com a mesma atitude autêntica, dedicada e solidária.

Esta é a oportunidade do momento: sermos humanos na sua plenitude de Ser. 

Oportunidade

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

3 Comments

  1. […] uma atitude de bondade para com o que vivemos, sentimos, pensamos, as nossas experiências são oportunidades de […]

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