Como lidar com o medo?

O medo e a situação em que vivemos.

Existem motivos de preocupação:

  • A possibilidade de sermos contagiados e de contagiar;
  • A posição de maior vulnerabilidade dos mais frágeis e dos maiores em idade;
  • O impacto económico desta crise nas nossas vidas;
  • A alteração brusca da nossa realidade diária;
  • O facto de estarmos bastante tempo em casa. 

Além destes motivos de preocupação temos os anteriores a esta crise.

São motivos para sentirmos mais preocupação, tensão e cansaço.

Ajuda sentir e saber:

  • quanto melhor for a nossa informação sobre o que está realmente a acontecer ou pode vir acontecer mais ajustada será a nossa resposta.
  • quanto melhor valorizarmos e expressarmos o que sentimos melhor será igualmente a nossa resposta ao que possa acontecer e menos procuraremos respostas não ajustadas.

Em síntese: é essencial estarmos bem informados sobre o que está acontecer fora de nós e dentro de nós, e assim melhor iremos lidar com a situação.

Como lidar com a dor?  

Qual é a realidade exterior a nós?

A OMS, a DGS e as experiências de outros países, no que concerne à nossa principal preocupação, a da saúde, informam-nos sobre a realidade:

– por cada 100 portugueses, 80 não sentirão o impacto do vírus, 15 terão sintomas ligeiros, e 5 deverão ter sintomas mais evidentes. Destes 5%, quase todos irão ser curados, e se estes não forem contagiados no mesmo período de tempo será altamente minimizado o sofrimento.

– o vírus transmite-se pelo contato físico e contagia pelos olhos, nariz e boca;

– as pessoas maiores e aquelas com outras doenças, sobretudo respiratórias, estão mais vulneráveis em caso de serem contagiadas

– a saúde em Portugal tem uma resposta portentosa no terreno já preparada;

– o isolamento social e as medidas de higiene estão a minimizar o contágio.

Como é a realidade interior, o sentimos face a esta realidade?

Algum medo seguramente, e ainda bem.

O medo informa-nos, por meio do nosso corpo e automaticamente, acerca dos riscos e leva-nos a uma resposta protetora ajustada.

Ao apercebemos da realidade que estamos a viver temos medo e, porque temos medo, tomamos as devidas medidas para nos protegermos e aos outros.

Em nenhuma ocasião, ajuda o medo exagerado (alarmismo) nem o medo minimizado (‘isto não é comigo, estou super tranquilo…’)

Como lidar com o medo?

Como lidar com o medo?

– Estar bem informado;

– Ter consciência que podemos estar a sentir preocupação e medo;

– Foco no que sentimos e nas nossas emoções que possam não estar ajustadas à situação (por exemplo comprar muito papel higiénico…);

– Conectarmos-mos com a realidade que está diante de nós efetivamente; 

– Sairmos do registo ‘eu apenas’ e abrirmo-nos ao ‘nós social’;

– Cuidarmos com amor e respeito o que estamos a sentir; tratar de nós como gostamos de ser tratados, bem como tratar os outros como gostariam de ser tratados;

– Confiar na nossa capacidade de regular e expressar as nossas emoções por meio da expressão das mesmas, da partilha com alguém de confiança, da bondade para connosco.

– Ter noção da quantidade de vidas que já ajudámos com os nossos cuidados.

Como lidar com a dor?

E se o nosso medo não for atendido?

Não valorizar a realidade e o que sentimos pode aumentar a nossa ansiedade, tanto quanto o dano que possamos imaginar. 

Podemos entrar numa espiral crescente, pois não olhamos para a realidade nem cuidamos do que sentimos.

Não daremos uma resposta ajustada às situações reais e, ao mesmo tempo, estaremos a aumentar o nosso estado de alerta e a nossa incapacidade de regular esse estado.

Assim sendo mais dificilmente estaremos aptos para como lidar com o nosso medo.

O que sentimos depende da realidade, da maneira como a percecionamos e do modo como estamos habituados a valorizar e aceder ao que sentimos.

 Como lidar com a dor?

É desaconselhável fugir dos nossos medos

Pois, desse modo, eles crescem dentro de nós.

Olhemos a história de um jovem que atrás do seu sonho percorreu milhares de quilómetros, até chegar a uma grande cidade. 

Quando se preparava para nela entrar, ouviu a voz de um monstro, de tal modo que não teve coragem de entrar na cidade.

Decidiu dar voltas à muralha citadina, na tentativa de vencer o medo que trazia dentro. 

Passou-se algum tempo, e o jovem não deixava de ouvir o monstro, sobretudo quando se aproximava do portão da cidade.

Um dia, encheu-se de coragem e bateu ao portão, mas rapidamente se apercebeu da sombra do terrível monstro.

Exausto desta desventura, o jovem parou, rendeu-se ao objeto do seu medo e, devagar e com respeito, enfrentou o monstro olhos nos olhos: ‘Monstro, meu companheiro nestes anos, que queres de mim? Porque me acompanhas?’

Diante do olhar do rapaz, as expressões temerosas do monstro foram desaparecendo, de tal modo que o monstro desvaneceu-se como fumo. Então, o jovem entrou na cidade.

Quando o medo é nosso bom amigo

Quando olhamos o medo de frente com amor, apercebemo-nos de que eles existem para o nosso bem. Desse modo mais facilmente nos dispomos a lidar com os nossos medos.

No fundo, podem ser nossos bons amigos, pois ajudam-nos a crescer. Quando lhes damos atenção e justo significado, os medos deixam de nos assustar e condicionar negativamente.

Talvez, por isso, quando pedimos a uma criança que desenhe o monstro com o qual sonha, ela se aperceba, pelo seu desenho, que o monstro é pequeno. Simplesmente, não existe.

Talvez nos tenhamos habituado a um mundo exigente, cruel, que não se compadece no erro ou até na ausência de erro!

Connosco mesmo e na partilha uns com os outros, podemos qualificar com delicadeza as palavras que dizemos, que pensamos e que escutamos.

No fundo, voltar a ser criança, com a consciência que temos hoje! Tanto assim que possamos em cada situação reconstruir algo de novo e significativo.

Quando o que esperamos é o que depende de nós, só podemos esperar boas notícias!

Como lidar com a dor?  

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

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  2. […] As expetativas podem descurar oportunidades, dando-nos a ilusão de uma certa segurança. […]

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