Depressão

A depressão está entre as principais doenças em Portugal (DGS).

E tem um sério impacto na qualidade de vida dos portugueses. 

Segundo a OMS, a depressão é o maior contribuinte de incapacidade para a atividade.

A desvalorização da saúde emocional dificulta a sinalização da depressão e o seu tratamento.

O que se torna paradoxal, pois sabemos que esta problemática tem cura.

O que é a depressão?

Em poucas palavras, pode ser entendida como uma desordem afectiva que perturba o modo como as pessoas se sentem e sentem o mundo.

Pode traduzir-se num emergente sentimento de desamparo.

A depressão major – sucessivos momentos de humor depressivo – pode ter na base processos de construção identitários de abandono, de solidão, de angústia.

Estes processos expressam-se num tremendo consumo de energia e, por conseguinte, podem induzir a pessoa a um desinteresse pela própria vida.

Ao psicólogo compete apresentar as ferramentas facilitadoras para a cura da depressão.

Cama 

O que pode estar na base de uma depressão?

Seja a depressão como a ansiedade procuram de certa maneira evitar ou não abraçar determinadas respostas emocionais.

Conscientes desta realidade, importa atender a alguns possíveis padrões depressivos:

  • ‘Defeituoso internalizado’, ou seja, um sentir interno reprimido em resultado de um sentimento de vergonha não atendido.
  • ‘Vinculação assustada’, que se pode traduzir numa estratégia de proteção suportada pelo evitamento fruto de medo e raiva não atendidos.
  • ‘Desamado’, o qual não procura proteção mas sim isolamento, pois ‘ninguém cuida de mim’, em resultado de tristeza e desemparo não atendidos.

Como se desenvolve um estado de depressão?

Uma determinada perda, susto ou erro gera uma correspondente emoção.

Não sendo essa atendida, ou seja, se não encontrar suporte, compreensão nem significado, e, por isso, se não for processada, pode ser transformada numa alternativa emocional, que se vai reforçando com experiências prévias mais ou menos semelhantes.

Estas podem provocar auto-avaliações negativas crescentes, baixa autoestima e desamparo.

Debaixo desta nuvem pesada pode desenvolver-se uma narrativa problemática repetitiva, na base de memórias que se tornam automáticas, inconscientes e desgastantes: um estado que permite não entrar em contacto com cerne de uma dor original!

Portanto, na tentativa de evitar a dor, entra-se num ciclo vicioso repressivo, que leva a um estado depressivo, a partir do qual se tende a viver e a adaptar.

Quais são os principais sintomas?

  • Alterações no sono;
  • Perda de energia;
  • Falta de interesse;
  • Dores;
  • Lentificação;
  • Isolamento;
  • Tristeza e vazio;
  • Culpabilidade;
  • Auto-desvalorização;
  • Expectativas negativas.

sentada  

Qual é o processo de mudança?

Quando alguém tem consciência que tem pensamentos e/ou sentimentos repressivos, pode estar de saída do estado depressivo.

Pois, progressivamente pode focar-se, não no processo depressivo (nuvem problemática negativa e repetitiva), mas sim:

  • no que sente;
  • nas tendências de pensamento e de ação não adaptativas;
  • nas eventuais histórias que importa perdoar e dar significado.

Assim, com passos cada vez maiores e mais firmes, com amor, acede e transforma o cerne da dor (tristeza, raiva, vergonha, medo, desamparo).

E, ao mesmo tempo, aumenta a confiança e a capacidade de regular e expressar emoções, incluindo a dor que antes evitava (Salgado, Cunha, & Monteiro 2019).

Como podemos ajudar?

– Estabelecer uma relação focada na auto-compaixão: respeito, bondade e atenção plena para consigo mesmo (quanto ao que se pensa, diz, sente, faz);

– Motivar para um estado consciente e benévolo para com auto-avaliações negativas, narrativas repressivas repetitivas e gastos energéticos não adaptativos;

– Identificar e perdoar o que pudesse ter contribuído para organizações vulneráveis e de desamparo (ex.: situações de injustiça, de maltratos, de não suporte);

– Aceder ao cerne da dor evitada: tristeza da perda, vergonha de falhar, medo da ameaça;

– Promover uma atitude de aceitação e de bondade em vista da transformação de emoções dolorosas por meio do suporte, da compreensão e do significado;

– Consolidar a identidade em ordem a relações de maior conexão e liberdade.

Pés

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

4 Comments

  1. Avatar Maria José Carmo e Cunha

    Gostei do texto. Creio que de uma maneira ou de outra todos temos elementos destes.

  2. Avatar Suzane

    Bom dia
    Gostava de encontrar um bom terapeuta para tratar o meu stress pós traumático.
    A pouco tempo fui encaminhada pelo meu médico de família para o centro de (tratamento psicológico no Porto) foi um desastre…fui parar no hospital por uma abordagem mal feita do terapeuta.

    1. Cara Suzane. Obrigado, espero que se encontre bem. Apenas agora vi esta sua mensagem. Lamento a má experiencia que teve. Disponha.

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