Marta

O verdadeiro poder

Nestes dias experimentámos aquele que é o verdadeiro poder:

Proteger-se e valorizar-se, protegendo e valorizando os outros também.

Ao contrário de outras máscaras, esta revela uma atitude de liberdade: cuidar de si e do outro.

Gratidão às portuguesas e aos portugueses. 

O responsável pelo que estamos a conseguir, foste tu, foi cada um de nós que perfazemos o conjunto a que chamamos ‘todos’, a nossa comunidade.

É uma missão exigente. 

Estamos no bom caminho.

Este nosso poder é a grande evidência desta crise que enfrentamos.

O fim do poder

Por que não prosseguirmos assim para os desafios que se seguem?

Trabalhámos arduamente, em diferentes áreas, em sintonia, na perspetiva de cuidar do bem comum, minimizando discussões inoperantes.

Os nossos líderes uniram-se e, com a orientação de profissionais de excelência, tomaram decisões importantes.

A solidariedade assumiu contornos absolutamente maravilhosos.

Valorizámos a saúde, a dignidade, a liberdade, o respeito e cuidado mútuos, reconhecendo erros e aprendendo com estes.

Riscos da inoperância

Vamos descapitalizar a nossa força, unidade e lucidez?

Não assumirmos a nossa liberdade e responsabilidade pode revelar-se muito danoso no curto, médio e longo prazos.

Permitiria que prossiga aquilo que de menos bom nos trouxe a esta situação.

Permitiria que seja dado prioridade aos interesses económicos em detrimento da saúde e vida dos portugueses, criando condições para novos surtos de pandemia.

A máscara da liberdade 1  

Responsabilidade ou irresponsabilidade?

As proporções da crise que vivemos eram evitáveis se muitos não andassem distraídos.

Todos somos convocados a estar atentos para que esse estado de distração não se renove.

Irresponsabilidade de uns, não deixa de ser irresponsabilidade de outros, pois todos temos poder para alertar.

Será um risco não insistirmos na senda da transparência e solidariedade.

Esta exigência é irreal se cada um não assumir a sua corresponsabilidade de um modo sereno, como mostrámos agora e é que dever de todos continuarmos a assumir, nomeadamente para prevenir qualquer tipo de populismo.

O maior risco de uma crise

Acreditar que alguém possa ser o nosso salvador, entrando num registo de submissão, inércia, resignação, reclamação, medo condicionado.

Veja-se o que se sucedeu na crise que enfrentamos:

– Desinteresse por aquilo que estava a acontecer noutros países;

– Brincar com a situação;

– Esconder, desinformar e faltar à verdade acerca da realidade;

– Preocupação com a situação, entretanto muito agravada;

– Começar a agir em emergência e tardiamente.

Postos em perigo, obrigados ao isolamento e, agora, assustados com o que há-de vir e sujeitos a um enorme controlo.

Lixo 

Tentações…

Não desenvolvermos o nosso juízo crítico, permitindo que a voz dos fazedores de notícias e comentadores nos distraia, assuste, iluda, manipule.

Seguirmos para uma etapa civilizacional que não passe pela bondade, liberdade e respeito pela Natureza.

Insistirmos em modelos educativos, sociais e económicos que promovam o stress, a competição e a desigualdade, em detrimento do equilíbrio, da solidariedade e da equidade.

Desvalorizarmos qualquer profissão, com toda a dignidade e respeito que merece.

Não reconhecer e acolher a nossa vulnerabilidade como seres humanos.

Não valorizar e respeitar os Afectos, em particular os dos nossos avós e pais.

…E tentações.

Alienarmo-nos pelo mundo digital, em lugar de privilegiarmos relações humanas afetivas e genuínas, com todo o seu potencial.

Entrarmos numa espiral de ansiedade e anuirmos a suportar as despesas desta crise – que resultou de motivos completamente fora do nosso alcance – sem apontarmos para um movimento global de solidariedade.

Não equilibrarmos os avanços tecnológicos com a promoção do bem-estar, da liberdade e da transparência.

Iludirmo-nos com algum tipo de radicalismo: político, económico, religioso.

As nossas maiores forças…

Liberdade de nos protegermos e valorizarmos, protegendo e valorizando os outros também.

Globalização da solidariedade;

Valorização dos relacionamentos nas famílias, amizades e vizinhanças;

Crescimento da intervenção da ciência na determinação das decisões políticas a adotar;

Desenvolvimento da economia transparente, ao serviço da saúde das pessoas;

… Forças inabaláveis!

Interligação qualificada e humana das profissões, trabalhos e investimentos;

Promoção da boa informação e da cidadania;

Valorização da medicina da Bondade, incluindo a promoção de uma alimentação saudável acessível a todos e a criação de mais espaços verdes para o exercício físico e lazer.

Primado do equilíbrio entre Meio Ambiente e a Sociedade, promovendo o respeito, cuidado e a protecção da Natureza.

 

Que ninguém se iluda com o slogan ‘vai ficar tudo bem’.

Na realidade, ‘está tudo bem’ quando damos o nosso melhor por nós, pelo próximo, pela Natureza.

Tonio

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

2 Comments

  1. Avatar Maria José Carmo e Cunha

    Concordo no geral com toda a abordagem que faz. Acho que devia ser OBRIGATORIO o uso de máscara em TODAS as situações mesmo pelos politicos e/ou outras figuras como meio de dar a perceber a importância de se estar consciente e atento.

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