Confiança mãe

Nascemos com duas principais aptidões

– Alcançar apoio quando o necessitamos;

– Dar apoio a quem o precise.

Estas duas aptidões equilibram-se e desenvolvem-se mutuamente e estão na base da nossa confiança e coragem.

Um apoio recebido eficaz suscita um apoio concedido eficaz e vice-versa.

Necessidade fundamental: proteção.

Na realidade, desde do nosso nascimento que a nossa necessidade básica é a de proteção.

Essa necessidade é regulada através das nossas interações (Bowlby).

Interações de confiança, de segurança, de atenção, de apoio, de autenticidade propiciam naturalmente confiança, segurança, atenção, apoio, autenticidade.

Assim por meio das nossas interações construímos modelos relacionais mais ou menos confiantes, mais ou menos seguros, que assumem a forma de representações relativas:

– ao valor que atribuímos a nós mesmos;

– à disponibilidade que reconhecemos nos outros para connosco.

Estes modelos ajudam-nos a interpretar o nosso comportamento e o comportamento dos outros, antecipando reações de um modo dinâmico, automático, interno, inconsciente.

Certo é que esses modelos podem ser enriquecidos com novas experiências.

Mãe

Como podemos enriquecer?

A nossa confiança pode ser enriquecida pela qualidade de um conjunto de dimensões:

  • as nossas partilhas com amigos próximos;
  • os nossos afetos e relacionamentos de intimidade;
  • os nossos processos de auto-proteção;
  • os nossos ambientes internos;
  • o conforto e a segurança dos ambientes onde vivemos.

No fundo a confiança é a capacidade de nos adaptarmos do melhor modo às circunstâncias que experimentamos no sentido de proporcionarmos o nosso desenvolvimento e o dos outros.

O nosso desenvolvimento

A harmonia das diversas dimensões antes descritas cria condições propícias para:

  • conhecermos novas realidades;
  • realizarmos novas aprendizagens;
  • evoluirmos como humanos interna e externamente.

A interligação destas dimensões traduz a experiência que fazemos de nós e dos outros.

Quando nos sentimos seguros e com confiança, por um lado, o nosso medo é regulado e, por outro, a nossa capacidade de cuidar de nós e dos outros é fortalecida.

Vivemos com coragem, dedicação, abertura ao desenvolvimento e à aprendizagem.

Damos mais valor às nossas capacidades e sentimo-nos mais aptos e focados para seguirmos os nossos objetivos e motivações.

O nosso acatamento

Contudo, se nos sentirmos inseguros tendemos a ativar o nosso medo para nos protegermos e garantirmos a nossa sobrevivência.

Sentir-nos-emos inibidos ao ponto do medo nos dominar, expressando-se, de um modo inconsciente e corporalmente, através da:

  • luta, domínio;
  • desorientação, desorganização, imobilização;
  • fuga, evitamento, submissão (McCluskey).

Em poucas palavras passamos a estar num modo de sobrevivência, consumindo energia e atenção de um modo confrontativo, desorganizado e evitativo.

Assim se entendem os dois principais modos – desumanos – de dominar alguém:

– suscitar medo ou tentar desorientar;

– criar condições de dependência de qualquer género.

Três modos de existir:

  • em fuga de algo que nos possa perseguir;
  • ir atrás de algo que nos possa salvar ou proteger;
  • numa dinâmica pessoal e social cada vez mais confiante e desenvolvida.

O desafio é viver cada instante potenciando os nossos modelos construídos, valorizando as nossas vivências presentes.

Enfim, desenvolvermo-nos de um modo mais autêntico, social e realizado.

Tudo isto acontece na medida em que valorizamos as nossas aptidões fundamentais.

Mãe e confiança 

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

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