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O ódio

É uma fúria intensa acompanhada de desejos negativos dirigidos a alguém ou a algo que nos magoe profundamente.

É um conjunto emocional que se pode traduzir numa dor intensa.

Reflete duas principais carências – proteção e identidade.

Alimenta-se de um significado.

Manifesta-se como desgosto, aversão, frieza, ira, medo, raiva e sustenta-se numa racionalidade que procura colmatar as mágoas e carências associadas.

O ódio e a infância

A intensidade da vivência desta emoção pode estar relacionada com a qualidade dos nossos relacionamentos de infância.

Quem manteve na infância relações mais seguras, protegidas e amorosas, poderá conseguir lidar melhor com esta experiência emocional.

Quem manteve relações mais ambivalentes, mais tensas, poderá ter mais dificuldades.

O ódio e a liberdade

Nascemos unidos ao mundo como se dele fizéssemos parte de um modo indivisível.

À medida que crescemos construímos a nossa identidade, distinguindo-nos dos outros e das coisas.

Quanto melhor for a nossa capacidade de nos distinguirmos das realidades e de com elas interagirmos, mais facilmente podemos lidar com a vivência do ódio.

Quando mais dependentes das coisas e dos outros, maior poderá ser a intensidade dessa emoção perante a quebra desses laços de dependência.

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Ódio e o amor

Partilham algumas estruturas cerebrais.

Contudo, entre outras profundas diferenças, há uma fundamental:

O amor alimenta-se de empatia e de intimidade.

O ódio alimenta-se de raciocínio sobre si mesmo e contra alguém ou algo.

Por isso, a importância de desenvolvermos a capacidade de entrarmos no mundo do outro e de sermos autênticos nas nossas interações.

De não sustentarmos narrativas odiosas, mas sim alimentarmos narrativas de perdão.

Só assim nos podemos transcender gerando emoções, pensamentos e gestos gratificantes para todos.

O que é que nos leva a odiar?

A defesa, custe o que custar, do que entendemos ser a nossa proteção e identidade?

A ilusão de defender a nossa supremacia e superioridade?

A incapacidade de desenvolver um sentido de identidade ou de proteção pessoal e social sem ser por identificação com uma pessoa ou um determinado grupo?

Tantos e tão complexos serão os motivos que nos movem nesta emoção.

Riscos do ódio

Resultar de informação pobre e incongruente;

Não produzir novas respostas, experiências e narrativas adaptativas;

Ser internalizado, somatizado ou absorvido;

Ser descomprometido com a realidade;

Ser alimentado por narrativas de ódio;

Fazer mal a quem sente ódio;

Consumir energia sem dar bons frutos;

Traduzir-se em discursos, pensamentos e comportamentos agressivos;

Estar associado a forças grupais que promovem a irresponsabilidade de pessoas e as sustentem com a falsa ideia de segurança, pertença e poder grupal;

Ser polarizado como um objeto de ódio sem conexão ao mundo do outro;

Alimentar-se pelo prazer que possa gerar.

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Como lidar com o ódio? 

Quem o sente trá-lo dentro.

Cada um de nós tem o poder de dar significado ao que sentimos.

Cada um de nós tem o poder de se transcender perante esse conjunto emocional, não obstante a mágoa que esse possa envolver.

– Se perante o ódio que sentimos decidimos atacar, acusar, submeter-nos, evitar, negar, silenciar, absorvê-lo, alimentar narrativas de ódio, estaremos a permitir que tenham poder sobre nós.

Estas respostas exponenciam o desejo de odiar em nós e no mundo.

– Se quando o experimentamos nos dispusermos a cuidar o que sentimos e a construir um significado que permita perdoarmo-nos pelo que sentimos e perdoarmos a quem nos magoou, estamos a transcender-nos.

Estas respostas promovem o nosso desenvolvimento e o desenvolvimento da sociedade, alimentando o perdão.

Como superar o ódio?

Favorecer contextos de vida autênticos e de desenvolvimento;

Viver adaptativamente experiências emocionais odiosas;

Investir numa boa informação crítica e não alimentar narrativas odiosas;

Procurar ter uma visão ampla da realidade, abrindo os seus horizontes;

Promover a liberdade e a aprendizagem genuínas de todos;

Valorizar o sentido de si, a conexão social e a diferença de cada um;

Transcender o ódio com sabedoria e perdão (aos outros e a si).

Odiocrianças 

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

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