Luto da perda

A dor de uma perda significativa.

É inexplicável.

Aproxima-se do pânico.

Precisamos de defesas contra a sua investida.

Solta-se um medo avassalador.

Submergirmos na dor.

Um nunca mais querer voltar a estados emocionais comuns (Sanders).

Perda: um vazio a ser preenchido

O luto é a adaptação a esse vazio.

Envolve tempo e tarefas (Kubler-Ross):

  • Negação, raiva, negociação, consciência, depressão, aceitação, renovação.

Na sua dor incomensurável, o luto pode ser um processo de redenção.

Pode ser uma oportunidade para fortalecer a identidade de si e a capacidade para amar.

Na dor profunda e inarrável podemos reconhecer o nosso valor e o amor recebido e presente de quem partiu.

Face ao significado e ao inesperado do luto

As reações à perda podem ser diversas:

  • Físicas: no comer e dormir;
  • Comportamentais: agressividade, passividade, descrença, hiperatividade;
  • Cognitivas: menos atenção no todo, mais foco no significado da perda, idealização do passado, exageração mágica;
  • Emocionais: culpabilização, medo, raiva, isolamento, ansiedade, desespero;
  • Sociais: egocentrismo, isolamento, re-identidade;
  • Biológicas: trauma, stress agudo ou crónico;
  • Espirituais: questionamento, revolta, renovação de significado, transcendência.

Perda

Como podemos ajudar no luto?

Escutar com o coração e honrar o que se sente.

Aprendendo, acompanhando, estando presente com a própria dor.

Descobrindo o valor do silêncio, respeitando a desordem.

Indo ao deserto da alma, validando a ‘normalidade’ da dor.

Mais do que tudo, importa estar presente.

Estarmos com quem sofre a perda.

Sermos genuínos e acolhedores.

Escutarmos de um modo atento.

Falarmos de um modo natural e empático.

Seguirmos o discurso, estando no tópico, dando tempo.

Atendermos o que se sente, evitando porquês, respostas rápidas, pregações, interpretações, interrupções, inquisições, rigidez.

Promovermos a diminuição do stress diário.

Suscitando iniciativas de cuidado de si.

Ativando a rede de suporte social.

Perante o sofrimento,

o tempo,

as estratégias de coping

e o cuidar da dor em ordem à renovação

são as variáveis essenciais na transformação do luto num processo de renovação de vida.

Incentivarmos o cuidado da dor da perda.

Pois a tristeza, a raiva e o medo explodem.

A vulnerabilidade é exponenciada.

O contato e a energia da perda são quebrados.

A autoconfiança é drasticamente colocada em causa.

A estrutura familiar e/ou social pode alterar-se radicalmente.

As expetativas de futuro podem ser profundamente frustradas.

Dor

Promovermos a aceitação bondosa do luto.

Em vista da transformação das emoções dolorosas por meio do suporte,

da compreensão.

do significado.

De modo a facilitar a reconstrução de um significado de vida adaptado e congruente.

Qual é o processo transformador na perda?

Existir é desenvolver-se no equilíbrio entre perda e renovação.

Estar num processo transformador acontece face:

– à perda:

  • aceitando-a e processando a respetiva dor;

– e à renovação:

  • ajustar o mundo sem a presença física de quem partiu;
  • e reencontrar uma nova experiência de conexão com quem partiu de modo a prosseguir renovado para uma nova etapa existencial.

Estamos a falar da tendência atualizante do ser humano,

onde o luto é tempo de autenticidade e de acesso a nossa à essência e à dos outros.

Não podemos escolher tudo. Podemos sempre escolher o modo como decidimos viver.

Evitar, negar ou mergulhar na dor.

São respostas que não geram bem-estar.

O bem e o amor dados e recebidos persistem.

O controlo e o apego impedem a entrega.

Só no amor e no respeito nos renovamos.

Cuidar com amor o que se sente no luto.

Permite aceder e transformar o cerne da dor (tristeza, raiva, medo, desamparo).

Permite aumentar a confiança,

a regulação

a expressão emocional

e a renovação perante a perda.

Cuidar de si é estar em contínua perda, realização, renovação, transcendência de significado.

Fases

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

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