Mudança

A mudança

Estamos em contínuos processos de mudança.

Biológicas, emocionais, cognitivas, comportamentais, sociais, organizacionais.

Uma simples alteração influencia outras.

Temos o poder e a liberdade de mudar. 

Somos um todo, um sistema pessoal e social.

A dinâmica da mudança

Somos o fruto das relações connosco, com os outros e com as coisas.

Estamos em contínua transformação:

– Da estabilidade para a instabilidade de mudar;

– O processo de mudar propriamente dito;

– Da instabilidade de mudar à estabilidade da mudança consumada.

Por sermos em dinâmica transformacional

É essencial a flexibilidade.

O nosso bem-estar é a regulação adaptada ao nosso contínuo de transformação.

E resulta da nossa abertura à mudança, ao diverso, ao desconhecido, ao novo.

A inflexibilidade pode tornar-se um processo doentio.

Ponte

Os dois processos que regulam as mudanças:

– o da sobrevivência, da manutenção do que somos;

– e o da prevalência, do desenvolvimento do que somos (Damásio).

O modo como estes dois imperativos dialogam determinam o nosso desenvolvimento integral.

E este acontece quando as nossas mudanças satisfazem as nossas necessidades humanas essenciais:

– Ser amado e amar, ser protegido e proteger

– Experimentar o nosso valor, identidade, dignidade e unicidade;

– Prosseguir um sentido, significado de vida.

Mudar: aprimorar as necessidades humanas

O que se traduz num melhorado processo de ser.

Estamos a falar do processo dialético interno e externo de bem-estar.

Da capacidade de acolher a diferença.

Que não é sinónimo de linearidade nem de ausência de dificuldades.

Que requer um nível regulado de problemática e de diferenciação.

Que requer capacidade de lidar com a frustração e com o desconhecido.

A dialética da mudança

É um processo entre a estabilidade e a não estabilidade.

Acontece na síntese de dois ou mais elementos.

Estes, quanto mais genuínos e congruentes com as nossas necessidades essenciais, melhor nos garantem a sobrevivência e o desenvolvimento.

Pois as necessidades essenciais mobilizadas impulsionam o desenvolvimento e não aceitam o que não seja digno de amor, de respeito e de sentido.

Assim o processo de mudar acontece serena e continuadamente.

Este pode incluir:

  • o comportamento alternativo,
  • a distância do problema e foco na solução,
  • a diferença, o dilema e o respetivo protesto,
  • a reelaboração de sentido
  • e o efeito de mudar.

Tudo isto pode facilitar o processo de mudar (Stiles).

Linha  

Resistência a mudar

Pode estar associada a relações conflituosas entre a razão e a emoção.

Pode estar ligada ao diálogo problemático entre o imperativo de sobrevivência (‘tenho medo’) e o desenvolvimental (‘tenho valor’).

Podemos ter criado circuitos fechados, na base de experiências e memórias passadas, que nos defendem, nos dificultam o diálogo interno e nos inibem a mudar.

Dinâmicas que facilitam a decisão de mudar

Dar voz às nossas necessidades essenciais;

Colocar em diálogo os nossos imperativos de sobrevivência e de desenvolvimento;

Ultrapassar o evitamento da experiência e de emoções reprimidas;

Promover contexto seguro e tolerar a frustração;

Identificar e regular gatilhos e mecanismos que impeçam a mudança;

Atribuir sentido à experiência e promover a assimilação de narrativas;

Sintonizar-se com o que se sente corporalmente;

Valorizar a experiência real e a regulação emocional (apaziguamento).

Mudança e o inconsciente

O inconsciente e o imaginário podem promover o nosso desenvolvimento.

E podem privar-nos a liberdade e a capacidade de nos desenvolvermos.

Importa, por isso, atender ao modo como processos inconscientes (internos e sociais) podem impedir ou manipular as nossas mudanças.

Etapas da mudança deliberada

Pré-contemplação

– Ausência de noção de necessidade de mudança;

Contemplação

– Consciência da necessidade de mudar mesmo se nada se faz para isso;

Preparação

– Decisão de mudança e preparação para a mesma, com sinais em ação;

Ação

– Ações significativas na base de decisões comprometidas e realistas;

Manutenção

– Prosseguimento das mudanças registadas anteriormente;

Consumação

– Assimilação da mudança (Prochaska).

A decisão de mudar e a moral.

O princípio que nos leva a mudar deliberadamente pode depender:

  • do resultado da mudança (castigo/recompensa);
  • do ganho individual;
  • do quanto agrada aos outros;
  • da manutenção da ordem social;
  • do ser bom ou mau diante dos acordos alcançados;
  • de princípios universais internalizados (amor, solidariedade, justiça).

Este último princípio é o humanamente mais evoluído (Kohlberg).

Próprio de quem assume, de um modo integral, livre e autêntico, o seu percurso de vida pessoal e social.

Resistência  

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

1 Comment

  1. Avatar Maria José Carmo e Cunha

    Do meu ponto de vista a mudança ocorre instante a instante. Fluir nela sem medo, apego ou projeções é a sabedoria que nos permite viver totalmente.

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