Preocupações

No enlaço das preocupações

Sentimo-nos como se nada mais existisse.

Entramos numa espiral de preocupações sobre preocupações.

Parece ser viciante, definidora do que somos.

Ficamos envoltos num todo de ansiedade.

O nosso foco e energia consomem-nos entre estados de imobilidade e de impulsividade.

Reagimos de um modo crítico a esse sentimento e modo de ser.

Ficamos incapazes de advertir que os pensamentos e emoções vêm e vão. À mercê do que nos escapa, deixamos de responder ajustadamente ao que sentimos.

Rigidez do evitamento

Estaremos a evitar um desconforto interior?

É sabido que tentativas repetidas e rígidas de evitamento não resolvem dificuldades.

Tendem a aumentá-las e ao respetivo sofrimento.

A flexibilidade é necessária para lidarmos com as preocupações, sobretudo para que não entremos na sua espiral crescente.

Esta pode despoletar num ativar de memórias passadas, que de um modo inconsciente e automático se tornam vivas e podem condicionar-nos.

Sair de preocupações e seus contextos

A nossa tentativa, consciente ou inconsciente, de negar sentimentos que nos vulnerabilizam, pode levar-nos a evitar eventos em que esses se possam despoletar.

Ao ponto de os querermos controlar.

Podemos assim perder contato com a realidade em que vivemos, tal é a intensidade com que nos focamos no que possa vir a acontecer.

Deixamos de cuidar o que sentimos e de reconstruir o presente.

Estamos preocupados com as nossas eventuais e futuras preocupações.

Tempestade

Armadilha na qual podemos cair

  • Gatilho: uma determinada situação, muitas vezes sem que nos apercebamos, ativa memórias passadas a essa associadas;
  • Invasão: essas experiências despertadas invadem-nos emocionalmente;
  • Contra-ataque: canalizamos nossos recursos e forças no sentido de eliminar o mais rapidamente possível aquele estado de vulnerabilidade, de ameaça, de desconforto.
  • Campo de batalha: vemo-nos em pleno conflito como se nada mais nos restasse senão lutarmos, fugirmos ou ficarmos imobilizados perante o que nos invade.

Como sair do campo de batalha?

Seguramente não queremos viver em batalhas repetidas, sem fim.

Contra-atacar, fugir, estreitar horizontes, endurecer não são soluções saudáveis.

Como passar do campo de batalha à paz?

Como transformar uma potencial armadilha numa oportunidade de crescimento?

Tudo depende da nossa atitude.

Atitude de abertura

Liberta-nos da fusão emocional com os nossos estados de sentir despoletados.

Propicia condições para soluções realistas face às preocupações que enfrentamos.

Permite-nos experienciar o que realmente estamos a viver.

Extrai o nosso melhor em cada situação.

Fortalece as nossas competências cognitivas e emocionais.

Cria condições para o nosso desenvolvimento.

Passarinho 

Consciência bondosa

Até que ponto as nossas preocupações são fruto do nosso auto-criticismo?

O bem-estar depende da capacidade de nos amarmos e respeitarmos verdadeiramente.

Assumindo uma atitude de bondade para com o que vivemos, 

sentimos, 

pensamos, 

as nossas experiências desconfortantes passam a ser verdadeiras oportunidades de crescimento.

Aceitação e valorização

Estaremos descentrados de nós, ao ponto de responsabilizarmos os outros pelo que sentimos?

Efetivamente, quanto melhor aceitarmos e atendermos ao que sentimos interiormente melhor serão as nossas respostas.

Importa cuidar os processos internos que nos possam estar a condicionar, nomeadamente, memórias, crenças, preocupações, padrões disfuncionais.

É certo que as nossas interações podem despertar esses processos.

Também por isso as interações são maravilhosos potenciais de crescimento – como atesta o conselho nacional de saúde (CNS).

Responsabilidade do presente

Num instante não conseguimos tudo.

Num instante podemos mudar o modo como vemos e entendemos tudo.

Estar em contato com a realidade que vivemos abre-nos as portas para a resolução dos nossos problemas e para o potencial do nosso crescimento.

Nos momentos de maior vulnerabilidade, qual é o nosso grau de envolvência com os nossos valores fundamentais: serenidade, paz, amor, justiça, solidariedade?

O segredo é o foco e o compromisso com a nossa experiência real e concreta.

Do tratado de paz ao crescimento

Perante situações de vulnerabilidade e de desconforto,

se a nossa atitude for 

De abertura e bondade

De aceitação da vulnerabilidade

De flexibilidade e autenticidade

De delicadeza e compromisso com os nossos valores

De contato com a realidade presente

De foco nas nossas capacidades

Estamos num contínuo processo de crescimento humano.

crescimento

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

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