Terapia

Terapia da imperfeição

A terapia da imperfeição facilita-nos o acesso à grandeza da nossa condição.

A tarefa é simples (e heróica): reconhecermos os nossos limites.

Limites espaciais, temporais, sociais, biológicos, existenciais.

Aceitar estes limites é o ponto de partida para que nos tornemos mais humanos (R. Peter).

Entenda-se o limite como a consistência da nossa realidade e, ao mesmo tempo, a possibilidade da nossa abertura, transcendência, comunicação, intimidade.

As duas grandes vias

Que resposta damos à realidade do nosso limite?

Aceitamos que não podemos ser perfeitos e nesta base evoluímos humanamente?

Tentamos alcançar a perfeição e debaixo deste ideal lutamos?

Vários motivos contribuíram para que o limite se tornasse sinónimo de imperfeição, de insuficiência, de carência.

Assim se entendem os ideais de perfeição, de utilitarismo, de sucesso, de consumismo.

A doença do perfecionismo

Segundo a terapia da imperfeição, o perfecionismo é uma neurose que resulta de perda do sentido da realidade do ser humano.

Os pressupostos e os esquemas perfecionistas estão carentes de sentido humano.

  • “Não consigo aceitar-me como sou.”
  • “Sofro por não ser a mãe que deveria ser, a mãe perfeita.”
  • “Quanto mais penso nos meus erros, menos sou capaz de me perdoar.”
  • “Recuso o corpo que tenho.”
  • “Não admito ter errado do modo que errei.”
  • “Nunca me senti especial, excelente em nada nem por ninguém.”

consciencia

Reconhecer o limite

Viver serenamente requer o reconhecimento dos nossos limites.

A terapia da imperfeição aponta para a necessidade de sair da prisão das expetativas e dos esquemas perfecionistas.

Importa passar da tendência de perfeição para o caminho da realidade.

O nosso verdadeiro valor é o que somos e o modo como nos relacionamos.

A baixa autoestima pode resultar do caráter nocivo do perfecionismo.

Abraçar o limite

O perfecionismo alicerça a existência num ideal para lá do limite.

Pressupõe uma imagem virtual de algo que jamais poderá ser alcançado.

Exclui a vulnerabilidade humana.

Abraçar o limite é desistir da recriminação e do tormento face aos meus erros e aos dos outros.

Abraçar o limite não é confrontar o ideal de perfeição – seria uma batalha perdida.

Abraçar o limite não é sinónimo de mediocridade, mas sim de grandeza e de coragem.

Abraçar o limite é ir ao encontro do medo de errar, do limite, do nosso melhor.

O perfecionismo e o medo de errar

Errar traduz-se num forte desgosto e sentimento de culpa.

Gera impaciência e sofrimento pessoal.

É sentir-se inadequado, defeituoso.

É algo irreversível, irreparável, inaceitável.

É um forte risco, é um não corresponder às expetativas criadas.

É uma ameaça à continuidade e à identidade.

É uma experiência no escuro tudo o que possa ser suscetível de levar a errar.

perfeição 

No sentido de facilitar o abraçar deste medo, a terapia da imperfeição tem dois principais instrumentos: a inclusão do limite; e a consciência do limite.

A inclusão do limite

Quem tende à perfeição começa por ser motivado por um desejo de melhoria, mas esse desejo ganha a forma de ideal de perfeição, num continuado estado de insatisfação.

De acordo com a terapia da imperfeição, a inserção da noção de limite nas crenças e dinâmicas emocionais perfecionistas permite abrir uma luz, um horizonte de humanidade a quem vive debaixo da escravidão do perfeccionismo.

As etapas na inclusão do limite

– Ter consciência dos esquemas mentais perfecionistas, que se caracterizam-se por serem:

  • rígidos;
  • dualísticos;
  • antitéticos;
  • lineares;
  • hierarquizados.

– Rever modelos de vida perfecionista interiorizados:

  • Quando não encontro justificações para o facto de ter errado instauro na mente a ideia de falimento como pessoa, vivendo contra mim mesmo?

– Auto motivar-se para esquemas mentais alternativos:

  • Quem tende ao perfecionismo sofre de espírito de severidade e de gravidade, por isso a terapia da imperfeição valoriza a divertimento como modo de se dissociar de modelos perfecionistas e praticar modelos alternativos (através da visualização e da prática).

A terapia da imperfeição

Suscita modos humanos de lidar com os nossos limites.

É uma reforma existencial.

É um modo renovado de ver o que sinto.

É um encontro comigo e com os outros.

É um encontro com os meus medos e represálias.

É um encontro com o melhor de mim e com todas as minhas potencialidades.

Consciência do limite

Os insucessos são experiências que fazem parte da vida.

A felicidade está também no reconhecer os nossos limites e amarmo-nos como tal.

Importa aprender com os erros em vez de fugir deles.

Amar, compreender, perdoar os nossos erros exponencia o nosso bem-estar.

A consciência de limite é um modo de ser e de estar que reconhece e aceita os erros e os medos associados, que é capaz de se amar, de se perdoar e de aprender com os erros. E assim prossegue de um modo global, integral, dinâmico, flexível, no sentido do seu melhor.

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About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

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