Depressão

Não há uma só causa para a depressão

Vários fatores podem levar ao agravar de uma depressão:

– doenças crónicas;

– efeitos secundários de remédios e drogas;

– variáveis genéticas e fisiológicas herdadas;

– situações contextuais: perdas, condições de vida difíceis, stress diário;

– carências significativas experimentadas na infância;

– desvalorização da educação e saúde emocionais.

Numa depressão o sofrimento

Pode tornar-se tão intenso que se perde a capacidade de cuidar da dor que se sente.

Por ano, cerca de 800.000 pessoas decidem por fim à própria vida – em média uma pessoa em cada 40 segundos (OMS).

No ano de 2016 em Portugal, 1450 pessoas tomaram essa decisão – quatro pessoas por dia em média (OMS).

A maior parte das pessoas que idealizam, tentam ou cometem o suicídio, escolheriam outra alternativa para ultrapassar o seu sofrimento.

Por fim à tremenda dor emocional

Quem pensa, tenta ou comete suicídio pretende acabar com a sua dor.

A sua verdadeira intenção não é a de terminar com a sua vida.

É a de sair do sufoco em que se encontra.

Libertar-se do sofrimento, não sofrer mais, acabar com a depressão profunda.

Duas em cada três pessoas que puseram fim à sua vida comunicaram previamente a intenção de findar a sua dor desse modo.

escuridão

Dificuldades psicológicas profundas

Apenas o amor compreende certas realidades e a todas, sem excepção, é capaz de renovar.

Nove em cada dez pessoas que decidem por fim à sua dor sofriam de dificuldades psicológicas, sobretudo de depressão ou de algum tipo de dependência.

Cinco em cada dez pessoas não tinham cuidados de saúde emocional.

Quem decide assim terminar com a sua dor causa um sofrimento profundo a quem o ama (DGS).

Como diminuir esta realidade?

Assumir o pacto de educação global (António Damásio e Papa Francisco);

Valorizar a família e as redes de suporte sociais;

Promover a educação e o cuidado emocionais;

Apoiar nas perdas significativas, incluindo situações de abuso e de humilhação;

Investir no autocuidado e no autoperdão

Educar para a resolução e a comunicação de problemas;

Fomentar o sentido de vida e de espiritualidade em todas as dimensões da vida, incluindo no domínio profissional;

Aprender a lidar com dificuldades laborais e económicas;

Valorizar a vida e a paz.

É essencial escutar e cuidar

Escutar o que sentimos e aquilo que os outros possam sentir.

Não se trata de julgar nem de opinar.

Mas sim de validar e de acolher o que se sente.

De valorizar o que cada um é.

De nos amarmos e de amarmos o outro.

De despertar em nós e nos outros o melhor que somos.

hope

Escutar pode implicar reconhecer que nem tudo está bem.

Pode implicar manifestar a nossa delicadeza e atenção explicitamente.

Perguntar diretamente e com amor, caso o sentimento de tristeza vivenciado assim justifique, se se equaciona a ideia de suicídio como alternativa.

Acredito que estejas a sofrer para lá das tuas forças. Pões a hipótese de por fim à tua vida para terminar essa dor?

Escutar autenticamente é cuidar, é amar.  

Todos temos o direito de sentir tristeza.

Todos temos o direito de cuidar de nós e do próximo com amor e, quando necessário, de recorrer a cuidados especializados de saúde emocional.

Nem sempre é possível reconhecer que alguém, mesmo vivendo perto de nós, esteja em sofrimento profundo.

Por muito que possamos fazer, nem sempre conseguimos evitar que alguém que amamos decida tomar essa opção.

Aquilo de que todos necessitamos

É de reconhecer o nosso verdadeiro valor, o que somos;

Amar e ser amados;

Sentir a transcendência própria da vida.

Satisfazer essas necessidades é criar um mundo mais genuíno.

Investir na saúde e educação de um modo integral é uma absoluta prioridade.

É o melhor caminho para uma vida pessoal e social saudável.

Em boa verdade, muitas são as pessoas que se permitem e concedem aos outros a oportunidade de serem escutadas e amadas em todas as circunstâncias, naquilo que são e naquilo que sentem.

redenção

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

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