Experiências

O modo como sentimos

Ao longo da vida, habituamo-nos a sentir de uma determinada maneira.

Partindo do nosso potencial emocional e das nossas experiências.

Assim sentimos o mundo e agimos nele.

No entanto, sentir é um processo dialógico e dinâmico de construção de significado.

Somos um conjunto coeso e dinâmico

De vivências que interagem entre si no diálogo connosco e com os outros.

Nestas incluem-se as nossas memórias e expectativas.

A nossa identidade, onde se inclui a percepção do seu sentido de continuidade, acontece na medida em que aceitamos, sentimos e construímos as nossas experiências como nossas.

A este nosso conjunto identitário podemos metaforicamente chamar a nossa comunidade de experiências (Stiles).

As experiências problemáticas

Referimo-nos às vivências desajustadas dos nossos processos habituais de sentir e que, mais ou menos, perturbam a nossa comunidade de experiências.

As experiências problemáticas podem:

  • manifestar-se em situações de perda, de rejeição, de oposição – na esfera pessoal, familiar ou profissional.
  • ser despoletadas na base de vivências passadas, ignoradas ou evitadas, que podem ser reactivadas quando vivemos situações semelhantes.
  • gerar confusão, conflito, desconexão com a realidade.

Por gerarem sofrimento, tendem a ser evitadas pelo modo habitual de sentir.

No fundo, são situações que consideramos não serem parte de nós (Bastos – tese na Universidade de Coimbra).

Requerem ser ouvidas e atendidas

Entrar em contacto com essas experiências é a base para a resolução dos nossos problemas pessoais e relacionais.

Normalmente a comunidade de experiências aceita sem dificuldade as demais vivências.

Contudo, quanto maior a divergência de uma dada experiência com o habitual modo de sentir, maior a probabilidade de essa representar um problema.

Se o nosso modo habitual de lidar com sentimentos divergentes for baseado na rigidez e inflexibilidade mais difícil será aceitá-los.

Ignorar e evitar, com o intuito de manter um equilíbrio aparente, pode agravar o sofrimento.

Rígido  

O processo de integração

Integrar o que sentimos, de um modo flexível e adaptativo, em vista do nosso melhor e o dos outros é a base do nosso bem-estar.

O processo de integração pode incluir sete principais etapas (Stiles):

O – Inconsciência: não existe contacto consciente com a experiência problemática;

I – Pensamentos indesejáveis: entende-se pouco mas sente-se o desconforto;

II – Consciência vaga: reconhece-se que se enfrenta um problema mesmo sem o entender;

III – Colocação do problema: desejo sincero de esclarecer e de resolver o problema;

IV – Entendimento: dedicação a resolver o problema depois de o compreender;

V – Aplicação: o entendimento do problema é colocado ao serviço da sua solução;

VI – Solução: a solução é encontrada;

VII – Domínio: aprende-se a solucionar situações semelhantes.

Efetivamente, é essencial o diálogo entre as nossas experiências problemáticas e o nosso habitual modo de sentir.

diálogo   

Integração das nossas problemáticas

Não acontece de um modo contínuo.

É caracterizado por movimentos de avanços e de recuos, que podem:

  • Ser interrupções, descontinuidades, alterações.
  • Representar mudanças de atenção para uma situação de vida mais complexa.
  • Expressar o desejo de regressar a um espaço mais seguro.

Modos de integração

Quanto mais autênticos e abertos formos no contacto com as nossas experiências mais suave e frutuosa será a integração das mesmas.

Quanto mais directivos, inflexíveis e teóricos formos maior a probabilidade de a integração daquelas experiências ser menos bem-sucedida.

É importante que deixemos de fugir dos nossos problemas.

São eles que muitas vezes nos oferecem as melhores aprendizagens.

A coragem de reconhecer e de observar os nossos erros

Permite-nos lapidar as nossas atitudes.

As respostas que procuramos revelam-se em nós.

Importa valorizar o manancial das nossas vivências interiores.

Estas despertam-se no contacto connosco e com os outros.

Desenvolver a capacidade de acolher novas experiências, incluindo as problemáticas, é promover o nosso melhor e o dos outros de um modo lúcido, ajustado e construtivo.

Do ponto de vista do bem-estar prevalecem três princípios fundamentais: diálogo, flexibilidade e adaptação. Quando estes integram o bem pessoal e social estamos num coerente e continuado processo de desenvolvimento.

desenvolvimento

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

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