Regulação emocional

Regulação emocional

É a capacidade para lidarmos com as emoções, de um modo ajustado aos nossos propósitos e às situações que vivemos.

A sua importância é evidente nas situações mais problemáticas.

A regulação emocional coloca em diálogo as diversas componentes das emoções.

Estas têm início no modo como percepcionamos e depois avaliamos os estímulos internos e externos.

Assim, na base das nossas memórias e contextos, ativam-se os nossos sistemas fisiológicos e comportamentais.

Ao contrário de estar

Desatento e debaixo de avaliações e julgamentos, a regulação emocional brota da:

  • consciência e compreensão do que sentimos;
  • aceitação e assunção das nossas emoções;
  • capacidade para gerir as nossas tendências de ação;
  • liberdade de agir de acordo com os nossos princípios;
  • estratégias alinhadas com nossos propósitos e contextos.

Estratégias de regulação emocional

São essenciais e podem ser:

– Prévias às situações:

  • Aprendendo a dar significado às experiências;
  • Crescendo na congruência emocional interna;
  • Cuidando das nossas vivências pessoais;
  • Valorizando os outros em toda a sua dignidade.

– No decorrer das situações:

  • Afastando-nos ou aproximando-nos dessas;
  • Alterando-as de forma a modelar os seus efeitos;
  • Escolhendo algumas das suas dimensões;
  • Selecionando uma interpretação construtiva;
  • Procurando tendências de resposta por elas despoletadas;
  • Resolvendo problemas que as mesmas suscitem.

Serenidade

O evitamento emocional

É uma estratégia de quem não quer sentir emoções tidas como negativas.

Esta decisão tende a:

  • diminuir emoções prazerosas e aumentar emoções dolorosas;
  • gerar afastamento e promover estados depressivos e ansiosos;
  • diminuir a auto-estima, a motivação e o bem-estar;
  • exponenciar o pensamento reprimido;
  • dificultar a capacidade de adaptação às situações (Gross).

A aceitação emocional é escolher experienciar todas as emoções, mesmo as dolorosas. Como lidar com essas emoções?

Autocompaixão

É uma estratégia para lidar com emoções com três principais componentes:

  • auto-bondade: atender com cuidado e compreensão o que sentimos e não com autocrítica;
  • humanidade: reconhecer a nossa imperfeição e não nos sentirmos sós no erro;
  • mindfulness: atender ao momento presenteintencionalmente, sem julgamento nem identificação com o mesmo.

Esta atitude pode, por um lado, diminuir a autocrítica, a ruminação, a depressão, a ansiedade, a culpabilização. E, por outro, promover emoções prazerosas, bem-estar, motivação, abertura à experiência e consciência dessa (Neff).

Competências de regulação emocional

Para melhorar a capacidade de regulação emocional, cinco práticas (Berking):

I – Relaxamento muscular e respiratório

A amígdala – no cérebro – tem como principal função a de integrar as emoções de acordo com os nossos hábitos de sentir: desinibindo ou inibindo respostas emocionais.

Ao interpretarmos uma situação como problemática, a amígdala pode condicionar o sentir, pensar e agir.

Por exemplo, aumentando a tensão muscular e a aceleração respiratória.

O relaxamento muscular e respiratório podem regular o nosso sentir, pensar e agir e habituar a nossa amígdala a processos de sentir mais flexíveis.

II – Perceção sem julgamento

Permitir-se sentir.

Observar o que está a acontecer em nós, no nosso corpo.

Estar consciente do que estamos a sentir sem nenhum tipo de julgamento.

Dar nome ao que se está a sentir.

Sinalizar o que gera e mantém uma emoção.

Este processo regula a ativação da amígdala e permite mais facilmente recorrer a recursos como o planeamento e a resolução de problemas.

Paz

III – Aceitação e tolerância de emoções

Aceitar as emoções como positivas, incluindo as mais dolorosas, na medida em que são fontes de informação.

Desse modo, acedemos às nossas necessidades.

E podemos dar melhor resposta ao que sentimos e diminuir tendências de evitamento, ignorância e dissociação emocionais.

Recebemos informação essencial para a nossa regulação.

IV – Atitude de autocompaixão

O auto-criticismo e a auto-desvalorização são processos recorrentes.

Estes podem acontecer sem que nos apercebamos, boicotando as nossas ações.

E podem estar na base de processos de ansiedade e de depressão.

Nesse sentido, é essencial exercitarmos:

  • autovalorizarão;
  • autocuidado;
  • atividades prazerosas.

V – Modificar emoções

Ao tomarmos contato com o que sentimos

de um modo compassivo estamos melhor capacitados e conscientes

para sentir e entender

se a nossa resposta emocional é ajustada à situação que vivemos.

Se essa não for

podemos mudar o nosso sentir

por uma emoção que seja congruente com o que estamos a viver.

Criança

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

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