transformação

A transformação emocional

Envolve várias dimensões:

  • a consciência e inconsciência de sentir;
  • o modo habitual de sentir: o como percepcionamos, avaliamos, expressamos e agimos face a estímulos internos e externos, atuais e passados;  
  • as aprendizagens e memórias de sentir e seus processos cerebrais;
  • os diálogos, comportamentos, pensamentos e contextos.

Existimos assim em mudança

Por isso a flexibilidade é essencial.

Emoções não adequadas podem tornar-se dolorosas por expressarem inflexibilidade.

A transformação emocional é a mudança de estados de sentir desadequados.

É sentir de um modo autêntico e livre.

Emoções transformam-se com emoções

O primeiro passo para transformar emoções é permitir que essas se expressem,

identificando-as, aceitando-as, nomeando-as e refletindo sobre a sua adequação.

É essencial não tentar transformar emoções sem antes as aceitarmos plenamente (Greenberg).

Só assim podemos delas cuidar e transformar adequadamente.  

Um exemplo de transformação emocional

Olhemos alguém que está em sofrimento, debaixo de forte tensão nervosa.

Sente-se cada vez mais isolado e deprimido.

Sente raiva de si, pois, inexplicavelmente, 

sai de casa ao encontro dos amigos, mas acaba por não o fazer.

Como mudar este processo de sentir?

Será a sua raiva uma emoção adequada nesta circunstância?

Sente raiva por não entender o motivo que o leva a afastar-se dos amigos?

Poderá estar a tentar proteger-se de um sentir vulnerável mais profundo, sendo que o facto de não o reconhecer alimenta a raiva?

A raiva pode estar a esconder e proteger outras emoções.

raiva  

Entre uma emoção adaptativa e não adaptativa

Sente vergonha e medo, mas não atende a essas emoções?

Sente vergonha de estar com os amigos por se sentir mais frágil fisicamente?

Sente medo de ser rejeitado?

Estará a emergir um processo emocional que não reconhece a vergonha, a tristeza e o medo, que lhe trazem sofrimento e perante o qual se quer proteger?

Este processo de regulação pode estar a produzir um efeito bloqueador e, ao mesmo tempo, a conceder um acesso restrito às suas emoções adaptativas e a incrementar emoções não adaptativas.  

O diálogo flexível e autêntico

Permite entrar em contato com as emoções e a sua integração adaptativa.

Aquelas dificuldades sentidas podem resultar de sobreposição de emoções e de consequentes bloqueios, resignações e evitamentos emocionais.

Importa distinguir as emoções adaptativas de eventuais emoções não adaptativas.

Aceder às emoções

É tomar contato com as sensações corporais,

rever episódios passados,

tomar consciência de sugestões emocionais vivas e simbólicas,

monitorizar níveis de ativação emocionais.

Assim, prestamos atenção à nossa experiência.

Validar a dor é acolher informação sobre as nossas necessidades, sobre o que é significativo para nós, sobre as nossas ações e relações. No fundo, a dor pode ser uma bússola no sentido da transformação emocional.

Crescimento  

Retomando o exemplo anterior

A pessoa poderá estar a sofrer pelo medo de ser rejeitada,

pela vergonha de se apresentar fragilizada diante dos amigos,

pela tristeza de se sentir só e incapacitada

e pela raiva por não conseguir lidar com todas essas emoções.

Estamos no âmago da transformação emocional

É essencial permitir-se sentir e transformar emoções não adaptativas em adaptativas.

Isto acontece ao acedermos a estados emocionais mais profundos,

ao tomarmos contacto com processos de sentir que possam estar a encobrir outros.

Ao acedermos a esses estados emocionais, conseguimos diluir emoções que os possam estar a encobrir (por deixarem de ser necessárias)

e, ao mesmo tempo, acedemos àquelas que estavam ocultas procurando atender às suas necessidades.

A raiva encobria a vergonha e transformou-se

Permitindo chegar à vergonha e à tristeza, que pedem compreensão e amparo.

E da vergonha e da tristeza pode aumentar a humildade, a compreensão, o carinho e o amor

na medida em quem aceitamos, cuidamos e transformamos as nossas fragilidades.

Princípios da transformação emocional

  • Aceitação plena, e sem julgamentos, do que somos e sentimos;
  • Adequada perceção e avaliação dos estímulos internos e externos;
  • Flexibilidade e diálogo;
  • Valorização das diversas dimensões envolvidas na transformação emocional;
  • Acesso aos estados profundos de sentir de um modo adequado (se necessário recorrer a um profissional);
  • Transformação profunda acontece por meio de emoções;
  • Contato com as necessidades essenciais como base de crescimento humano;
  • Habituação a emoções que promovam o bem-estar (bondade, paz, empatia).

Critérios para a transformação emocional

Será que estou a ter a perceção correta do estímulo externo?

O que estou a sentir foi originado por uma perceção adequada à minha emoção?

A emoção sentida promove o meu crescimento pessoal e social?

Consigo, em reflexão, encontrar sentido para esta emoção?

A minha emoção é proporcionada à legitima defesa do meu espaço e livre arbítrio ou invade o espaço dos outros e permite que os outros invadam o meu?

Se as respostas a estas questões forem sim, estamos diante de emoções adequadas.

Se as respostas forem não, importa abrirmo-nos à transformação emocional.

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About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

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