Esquizofrenia

Esquizofrenia

As causas, os sintomas e o desenvolvimento da esquizofrenia

continuam em permanente estudo em vista ao seu aprofundamento.

Prevalece o consenso de que as pessoas com esquizofrenia 

possam experimentar uma profunda cisão do self.

O self?

O self é o sentimento que temos do que acontece (Greenberg).

É a síntese da experiência que sentimos no encontro com os nossos contextos.

A sua coerência é um processo em contínua redefinição e reordenação.

O nosso sentido pessoal de unidade resulta assim da interação de processos que não se resumem uns aos outros.

O self expressa-se de um modo:

  • Dialógico e dinâmico;
  • Sem que exista uma voz única nem uma consciência absoluta de coletivo;
  • Experiencial, múltiplo e complementar;
  • Sequencial por meio do diálogo interno do indivíduo consigo e deste com os outros;
  • Divergente nos pontos de vista internos e destes com os dos outros.

Como surge a esquizofrenia?

À profunda cisão da dinâmica dialógica própria do self designou-se de esquizofrenia (do grego: sxizein+phren / cisão+mente).

Dois principais processos interligados podem estar na base da esquizofrenia:

  • processos ambientais: controlo social, traumas, infeções, stress;
  • processos biológicos: vulnerabilidades genéticas e alterações bioquímicas no cérebro.

Doença  

O que pode acontecer na esquizofrenia?

  • ausência temporária de hierarquia entre as diversas perspetivas do self;
  • e, por conseguinte, perda de oportunidade de algumas perspetivas falarem.

Assim podem resultar informações desintegradas (alucinações, delírios, ilusões) e suas respetivas percepções e avaliações.

A reação imediata a esta vivência desintegrada (o chamado surto psicótico) é multidimensional e expressa a fase mais aguda da perturbação.

Principais sintomas da esquizofrenia:

  • Delírios;
  • Alucinações;
  • Discurso e comportamento desorganizados;
  • Diminuição da resposta emocional, do interesse e da socialização.

Estes sintomas são variáveis, no padrão e na gravidade,

e podem emergir de problemas de narrativa interna,

reduzindo ou aumentando o sentido de consciência e de responsabilidade pessoais

e de coerência com o significado, a realidade e o contexto.

Três principais formas de cisão do self:

I – Suspensão do diálogo

Diálogo no estado mínimo como se estivesse em suspenso e sem discussão.

Como se fosse um comunicado de imprensa.

Expressando-se como uma incapacidade de dialogar sobre toda a sua condição.

Por exemplo, resumir-se a estar doente, porque os médicos assim o disseram.

Ser-se capaz de falar dos outros e não de si mesmo.

Revelar falta de afeto e de motivação.

Suspenso

II – Confusão no diálogo

Envolvência de múltiplas prespetivas do self em simultâneo.

Falta de diálogo hierárquico, de coerência e de posicionamento ajustado socialmente.

Rico e múltiplo mundo interior, cheio de afecto e de angústia.

Falta de organização e de interconexões coerentes, como se houvesse uma perda de personalidade e uma dissolução do sentido do self.

III – Rigidez no diálogo

Emergência de complexidade na base de um self monolítico e rígido.

História consistente com apenas uma posição dominante.

Conclusões finais e absolutas, resistentes à mudança narrativa.

Por exemplo, um indivíduo que se sente perseguido por um professor da escola primária, a partir do qual todos os eventos e estados afetivos são interpretados como persecutórios (Lysaker & Lysaker).

Como tratar esta doença?

Não obstante os muitos avanços já alcançados, ainda não existe uma cura para esta doença crónica.

O acompanhamento médico e psicológico são fundamentais.

Quanto mais precocemente for feito o diagnóstico

melhor poderá ser o prognóstico.

Essencial desenvolver a capacidade do diálogo

Como meio de recuperar o processo dialógico do self.

Estamos diante de um estado de desordem e não de destruição de conteúdo.

Nesta abertura ao diálogo, importa manter uma relação de paciente disponibilidade (sem rasgos de superioridade), encorajando a memória e a função executiva.

Um bom ambiente familiar, uma ajustada medicação, uma boa abertura à psicoterapia pessoal e familiar abrem caminho para que a maioria daqueles que tenham esta doença possam ter níveis de bem-estar muito satisfatórios.

Diálogo  

About the Author

Bernardo Corrêa d'Almeida

Bernardo Corrêa d'Almeida

O meu nome é Bernardo Corrêa d’Almeida e sou Psicólogo. Tenho uma grande paixão pelo que faço e isso traduz-se em presença, cuidado, dedicação e amor às pessoas que me consultam. Terei o maior gosto em trabalhar consigo.
Profissionalmente: Psicólogo Clínico, Professor, Investigador e Escritor. Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses com a Cédula Profissional nº 24538. Membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Focada nas Emoções. Psicólogo Clínico na Santa Casa da Misericórdia do Porto.

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